Zona de Conforto.

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Sempre achei que tudo aquilo que nos tira do centro, desestabiliza, que nos tira de nossa zona de conforto poderia ser um momento raro para observarmos o que somos capazes de realizar, o quão forte somos ou o poder que temos de surpreender a nós mesmos.

Continuando com os escritos sobre minha escolha por mudar de segmento profissional, saindo do Marketing e indo para a Psicologia, lembro-me que minha zona de conforto há muito não é mais vista! Posso dizer que há uns 2 ou 3 anos, no meio da graduação em Marketing e com uma vasta bagagem profissional, senti-me acordar no meio da viagem percebendo que não é mais a aquele destino que eu queria para mim. Mesmo não entendendo esse sentimento de angústia com uma pitada de desespero, fui sendo empurrado aos poucos para fora da minha zona de conforto.

No primeiro momento, houve a negação. Tentei por diversas vezes abstrair-me da desconfiança de que, pela vibração do meu corpo, o destino para o qual fui trabalhando-me não era mais o destino que minha alma queria, e que reclamava a cada oportunidade. O stress me abatera como um dardo envenenado, e mesmo com atividades e hábitos saudáveis e ditos como desestressantes, tudo se tornava paliativo ao passo  que minhas reflexões me colocavam em cheque sobre meu real desejo de continuar nesta função. Com o passar dos meses, fui me perguntando quais seriam os reais problemas que estavam fazendo afastar-me do caminho traçado.

Acho que todos que já passaram por esta situação, alguma vez, se perguntaram: O problema é o salário? Não. O problema era o cargo? Não. O problema era o plano de carreira? Não! Então o que diabos estava acontecendo? A resposta veio aos poucos: Eu havia perdido o interesse de trabalhar no segmento do Marketing, e direcionar toda minha capacidade para criar estímulos, desejos e necessidades de compra em pessoas que não necessariamente precisariam (ou deveriam) adquirir tal produto ou serviço. Desencantei-me com a forma como esta ciência é aplicada no mercado, e espantei-me com o pseudo legado que eu haveria de deixar para a posteridade se continuasse neste esquema. É isso. Eu havia tomado a pílula vermelha e não havia mais volta. 


Depois veio a conformação. Aceitar que eu deveria mudar, de novo, mas dessa vez com uma intensidade maior como nunca eu havia feito, talvez, até aquele momento. Não era fácil trocar de segmento, onde você já tinha criado raízes profundas (network, carreira, certo nível de salário e estabilidade). Mas era isso ou sentir-me vazio e incompleto em troca desses tópicos que citei nos parênteses. Permiti-me, então, a sair do emprego mais estável e me jogar em férias de autoconhecimento! O salto. 

Não, não fui comer-rezar-e-amar em uma tour pelo mundo, mas permiti-me alguns excessos como estes também, mas mais ainda o excesso de dar-me este tempo. Limpar minha personalidade influenciada pela prática de até então. Permiti-me fazer um curso de Teatro, dancei Tango, voltei a cantar em Coral, engajar-me em peças musicais,  e pesquisar como um novo eu seria, sendo do jeito que eu queria. Pus-me a avaliar novas formas e caminhos, estabelecer critérios que me ajudassem a visualizar o que eu realmente gostaria de desempenhar; para mim, e para o mundo onde vivo. Foi bastante difícil, tendo em mente que eu não tinha a mínima ideia do que eu poderia fazer além de Comunicação Publicitária, profissionalmente. 

"Conhece-te a ti mesmo" foi a lei. O que havia em mim que pudesse me apontar por onde eu deveria seguir? Em meus hobbies, em minhas concepções de felicidade e de qualidade de vida deveria haver algum indício que poderia me dizer como começar a construir uma nova projeção de mim mesmo em meu ofício. Por que era tão difícil respondermos a tais questões, aparentemente tão simples? Porque, na verdade, eu nunca precisei fazer essas perguntas a mim mesmo. Tive a sensação de que eu havia sido programado, sim, para viver em linha reta, sem curvas ou contratempos. Nunca precisei olhar para o lado até este momento. Como um padrão que se gruda à retina e nos condiciona a replicar histórias, gerações, e agora meu corpo vibrava em outra sintonia, e eu precisava entendê-la. 

Sobre a pesquisa que fiz, junto à uma boa Terapeuta, procurei começar pelas áreas que eu achava mais interessantes. Aspirações, projeções, superfície de outros ofícios que eu conhecia. Mas foi por aí que comecei meus experimentos; Gastronomia, Arquitetura, Teatro, Psicologia e até Astronomia! Meu Deus! Eu sou um poço de curiosidades! Foi quando tirei à prova do quão denso sou. Tive um trabalhão para pautar todos os assuntos que eu queria conhecer, ao menos mais do que eu já conhecia. Eram muitos mundos diferentes entre si, e eu me reconhecia um pouco em cada um deles. O experimento de procurar profissionais atuantes desses mercados, saber mais de suas rotinas e exercícios me mostrou os parâmetros desconhecidos que eu  tanto procurava, e cortei boa parte da lista. Alguns dessas ciências ainda perduram na lista, mas agora como hobbies paralelos à escolha que fiz para minha próxima graduação, posto que reconheci na Psicologia a melhor agenciadora para minha viagem por tantos mundos.

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