Batman Desmascarado, parte 1.

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Antes de qualquer coisa, ative a trilha sonora para este post clicando aqui. Ok, pode ler agora.

Ele se tornou a inspiração de milhões de pessoas, um exemplo a ser seguido, a prova de que a superação humana transcende quaisquer dificuldades. De uma criança de sete anos que presencia a morte de seus pais, ele emergiu como uma lenda. Batman, the fuck yeah. É dele que quero falar neste post.

Batman, o Cavaleiro das Trevas.

Batman é, talvez, a historinha de super-herói mais rica em termos de complexidade em sua trama, de profundidade de seus personagens. Nele, no próprio protagonista, encontramos heroísmo, medo, escuridão da alma, e uma luta intensa entre a moral e a linha tênue onde ela se coloca à prova de todos nós, humanos, em todos os nossos dias. E explorar este personagem tão complexo quanto contraditório poder ser uma experiência fascinante, meus caros.

Criado por Bob Kane, estreou em "Detective Comics" (DC, uma das mais sólidas e conhecidas empresas especializadas em quadrinhos dos EUA) em 1939, em sua 27º edição. Era uma década de depressão, rápida expansão urbana e crimes extremamente violentos. Desde então se tornou um afago aos corações estremecidos mostrando-se como ícone de coragem, determinação, superação e esperança, até a linha amiguinho das crianças ele fazia em datas comemorativas. Mas no fim do século 20 é que ele começou a adotar traços mais marcantes, mais sombrios, orgânicos, humanos, com outros autores/diretores adicionando camadas com motivações psicológicas ao homem morcego. E é justamente por este viés que quero levá-los nestas linhas: seus personagens do ponto de vista psicológico, a respeito de suas motivações e essências. Desvendando a psique de Bruce Wayne e seus vilões. Vambora?

Primeiro questionamento: O que faz um bilionário vestir uma fantasia tão colada para defender a cidade da criminalidade?

O Medo pode ser considerado uma das razões pelas quais Bruce Wayne, o bilionário playboy, se torna Batman. Duas cenas são cruciais para entendermos esta questão: no filme Batman Begins, quando Bruce, criança, adquire um medo paralisante de morcegos após cair em um poço desativado, e a cena onde ele está com os pais em um Teatro, e quase entra em pânico quando relembra dos morcegos devido a encenação da peça. Nesta, ele pede para  irem embora naquele momento, fazendo seus pais saírem antes do termino da apresentação, quando são mortos depois de um assalto. Bruce sentiu-se culpado porque o medo dele fez com que saíssem por aquele beco escuro, e isso causou o encontro com a morte dos Pais. Esta é uma parte importante na mitologia de Batman, que revive esta cena e a incorpora em diversas etapas da história do herói, por anos. 

Cena da morte dos pais de Bruce, em Batman Begins.

Assim, aprende da pior forma que a segurança é algo frágil e temporária, e absorve os questionamentos sobre em quem confiar, e sobre reviver esta dor ao perder, novamente, alguém que ama. "Então é melhor fazer a segurança pelas próprias mãos". Aqui definimos outro pilar da saga de Batman: o poder e as consequências de suas escolhas: A cena em que, crescido, vai ao julgamento do assassino de seus pais com uma arma no bolso e tem que decidir se vai usá-la para vingar-se, ou não. E não usa. Este é o momento de definição do personagem, porque quando uma pessoa passa por uma situação traumática, passa a se questionar sobre suas crenças básicas, e foi nesse momento que ele usa seu drama para algo positivo e amadurecedor; decidiu fazer justiça ao invés de vingar-se diretamente daquele que o causou a dor, protegendo indefesos de atos de criminosos.

"Mas porque diabos ele se veste de homem-morcego e sai lhôco desvairado na rua caçando criminosos, e não age diretamente na política e polícia local para revitalizar aquela cidade, como vinha fazendo seu pai ryco?" você deve ter se perguntado algum dia. A resposta é: Bruce assume a figura do morcego como imagem do seu alter-ego porque PRECISA se tornar algo maior do que um simples acionista, doador, ativista social e político para conseguir o que quer, do jeito que quer.


 "Procuro o meio de fazer justiça. De me tornar o medo contra aqueles que dão medo às pessoas." - Bruce Wayne (Christian Bale) em Batman Begins.


Neste momento submete-se a exposição ao seu medo (cena em que volta à caverna onde caiu quando criança e enfrenta os mamíferos voadores), controla-o e o leva ao encontro dos seus inimigos. Mas, ao passar dos anos, outro questionamento surge crítico, inclusive, para o próprio Bruce. "Qual o meu verdadeiro eu?"

Já o motivo da roupa colada, não sei.




Segundo questionamento: Qual é a verdadeira personalidade - Bruce ou Batman?

Questionamento épico! Ainda hoje psicólogos do mundo inteiro divergem sobre isto, e as mais interessantes questões são levantadas nas argumentações. O playboy que se divide entre sua vida diurna de filantropo e empresário, e sua patrulha por justiça a noite como um vigilante que atua, inclusive muitas vezes, fora-da-lei. 



Para esta análise, eu gostaria de relembrar o psiquiatra suíço Carl Jung, que acreditava que em todos nós acontece uma eterna luta entre o nosso eu "sociável" e, como difundiu em teoria, nosso "Lado Sombrio". Batman é a personificação do lado sombrio de Bruce, porque ele se parece com o mal que combate, um vilão, e age fora da sociedade e do senso comum, absorveu a iconografia do morcego (asas, negro, sombrio, notívago, até chifres adicionou a esta iconografia do mal) e, apesar disso, é um homem virtuoso em seus propósitos. O mal é parte inerente de todos nós, e Batman põe isso em sua face.

Chegou a hora dos meus inimigos compartilharem do meu medo. - Mais uma de Bruce Wayne Fuck Yeah.



Na época dos Nazistas, homossexuais foram marcados com um símbolo que depois virou um ícone de luta para às causas GLS, e como este caso existem vários outros na história da humanidade onde as pessoas se utilizaram de uma iconografia ruim, e o transformaram em uma insígnia de força, de vitória. A Cruz de cristo te diz alguma coisa? Pois é.

Muitos acham que Batman é a verdadeira face, e Bruce Wayne seja só uma máscara. Outros acham que Batman é uma exteriorização do alter-ego de Bruce que, quando imaturo, escolheu fazer as coisas desta forma e levantando que é Bruce quem alimenta a humanidade e todo o código de honra do Cavaleiro das Trevas. E eu sou desses. Acredito que, sim, Bruce seja a verdadeira pessoa, mas é Batman a verdadeira face. É por ele que Bruce se faz valer em vida. Afinal, partindo por esta suposição, acabo me lembrando de todas as outras facetas que desempenhamos em nosso dia-a-dia: 

Tem o Adriano Profissional de Marketing, o Adriano filho caçula, o Adriano boy irresistível, o Adriano amigo de todos e tem o Adriano que combate o mal nas ruas à noite...






Mas é claro que existem outras formas de tratar a dor da perda, e trabalhar a raiva, como a psicoterapia. E se Bruce fizesse psicoterapia, gente? Bom, talvez ele tivesse encontrado a "cura" para o Batman, e a DC perderia milhões em quadrinhos, mas isso é outra discussão.


Comportamento: Batman e suas leis.

Ele é um fora-da-lei. Diz quem e como devem ser punidos, e este é um comportamento perigoso se pensarmos em replicar isso na sociedade; o pensamento de um pode não condizer com a opinião das massas. Mas dentro do cenário de Gotham City (não muito diferente do nosso, diga-se de passagem) ele não conseguiria agir com tanta rapidez, devido a corrupção das vias legais.

Não é um executor, não mata. Tenta dominar os impulsos à violência, vingança, instintos primitivos - lado sombrio. Uma característica forte no personagem é seu autocontrole e disciplina, que chegam a ser quase um super poder.

A verdade é que ele NÃO CONSEGUE deixar de ser o Batman. É mais fácil deixar de ser o Bruce, sair de uma reunião ao fim da noite para caçar criminosos. Alguns dizem que Bruce sofre de Complexo de Herói; compulsão em ajudar pessoas e fazer justiça, controlar e observar se a lei (ou sua lei) está sendo cumprida e que inocentes não estão sendo feridos. Essa obsessão leva a ele perder/cortar de sua vida qualquer coisa que não o ajude nesta missão (de ser Batman), incluindo relacionamentos amorosos. 

Bruce Wayne fronte à armadura de Batman.


Fraqueza: O amor como ponto fraco!

Se apaixonar pode ser perigoso. Isso nós também temos como certo, mas para ele é deixar alguém se envolver em apuros, é deixar a pessoa amada em constante perigo envolvendo-a na trama, além de significar correr o risco de reviver o sentimento da perda.


Finalizando, Batman é regido pelas consequências de seus atos, e tem em cada ação um cálculo para esta. Reconhece a linha tênue entre o que é justiça e injustiça, mesmo que isso entre em conflito sobre o que é importante para Bruce. Bom, sobre esta preocupação com as consequências e seu super autocontrole, talvez sejam estas que façam dele um herói, mas é também o que deixa bem próximo das facetas que vemos em sua galeria de vilões. 

Charada, Pinguim, Mulher-Gato, Espantalho, Duas Caras, Coringa, entre outros, são personagens tão complexos e profundos quanto o próprio Batman/Bruce Wayne. Para estes, não pensem que esqueci, vou reservar a segunda parte destas linhas turvas, quando falarei dos perfis psicológicos dos inimigos de Batman!

Why so Ansioso? Confira o próximo post!

Espero que tenham gostado!  =)
Nos encontramos na segunda parte!! Té +!

2 comentários

  1. avatar Giulyo Barbosa says:

    Muito bom Adriano! Mas acho que você se manteve demais no filme. os quadrinhos são mais interessantes, e há coisas mais profundas, que não puderam ser devidamente aproveitadas nesta ultima saga do homem morcego. Mas há algo que o define, em qq midia. Ele é um justiceiro, ele é arrogante, agindo como policial e juiz. Mas ele não mata. Se não me falha a memoria, ele é o único heroi da DC, que nunca matou ninguem, inclusive o coringa. Acredito q c va falar mais do coringa, então vou parar por aqui ^^. Mas o batman é, de certa forma, um anti heroi. porem um anti heroi, com as mesmas regras de um heroi. Me refiro ao Batman enquanto midia, da DC. pq no filme, há um paradoxo, quando ele não ajuda Ras Al Guh, e salva o Coringa.

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